Seminário Associação Brasileira de Rerforma Agrária

Carta em Memória dos Lutadores da Reforma Agrária

“Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”


Bertold Brecht

Esse belíssimo poema de Bertold Brecht estabelece com precisão o quanto nossos homenageados, Dom Tomás Bladuino, Plinio de Arruda Sampaio, Raimundo João Amorim e Osvaldo Russo, foram imprescindíveis na defesa da Reforma Agrária no Brasil. Por isso, hoje, mais uma vez, celebramos os exemplos que nos legaram e que nos inspiram a seguir em frente.

A ABRA completou recentemente 50 anos de existência. O seu papel inicial de subsidiar e apoiar as lutas pela Reforma Agrária permanece tão atual e desafiante quanto a cinco décadas atrás. É, portanto, um processo longo a envolver várias gerações – as que lhe deram origem e as que ora permanecem no protagonismo da conversão desse sonho em realidade.

Os nossos lutadores, não diferentemente do que hoje sucede com todos nós, em meio a essa indissociabilidade do presente com o passado, vivenciada pela ABRA, entregaram-se de corpo e alma a essa labuta, tão espinhosa como esperançosa de ver a reforma agrária realizada no Brasil, o que, infelizmente, ainda não aconteceu.

Para homenagear esses companheiros, mais que um simples gesto de reverenciar os mortos é também uma forma de eternizar a vida e continuar alimentando os sonhos de vermos um dia a Reforma Agrária e todas as reformas dignificadoras da vida humana realizadas em nosso país, em fina harmonia com os princípios que emprestam sustentabilidade às relações do homem com a terra e com outras formas de vida.

Em outras palavras, podemos dizer, numa linguagem mais coloquial, que a vida destes companheiros ficou notabilizada pelos legados diversos e significativos no bom combate pela democratização do acesso a terra, alicerçada na distribuição equitativa de seus recursos e na disponibilização dos meios necessários a sua ocupação e utilização consequente, tem termos socioambientais.

Encerrando essa singela homenagem, queremos registrar a presença da família de Osvaldo Russi, que nos deixou em março deste ano: sua esposa Sandra, seus filhos Joana e Gustavo, e sua neta Açucena, que muito nos horram no compartilhamento desse breve momento de lembranças sobre vidas tão singulares como essenciais às lutas pela Reforma Agrária e pela paz com Justiça Social.

A Direção da ABRA

Brasília/DF., outubro de 2017


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